O Brasil voltou a ocupar a primeira posição no ranking mundial de juros reais, mesmo após o Banco Central reduzir a taxa básica de juros para 13,75% ao ano. O levantamento foi elaborado pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence e divulgado em 16 de setembro de 2026. Segundo os dados, a taxa de juro real brasileira está em 8,45% ao ano, considerando a taxa de mercado projetada para os próximos 12 meses e a inflação esperada para o mesmo período.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo realizado pelo Banco Central. Apesar da redução, o nível dos juros reais manteve o Brasil na liderança do ranking elaborado com 40 economias.
Para chegar ao resultado, o levantamento considera a taxa de juros projetada para 12 meses e desconta a inflação esperada para o mesmo período. No caso brasileiro, a inflação utilizada na conta é de 4,71%, conforme a projeção apresentada no relatório Focus do Banco Central. A metodologia utilizada pela MoneYou e pela Lev Intelligence busca comparar as condições de juros entre diferentes países usando referências de mercado com prazo semelhante.
O resultado coloca o Brasil à frente da Rússia, que apresenta juro real de 6,79%, da Colômbia, com 6,33%, e da Turquia, com 6,25%. A média dos 40 países analisados é de 1,62% ao ano. A diferença entre a taxa brasileira e a segunda colocada é de 1,66 ponto percentual.
A liderança brasileira no ranking de juros reais não significa que o país tenha a maior taxa nominal entre as economias analisadas. Nesse critério, o Brasil aparece na quarta posição, com 13,75% ao ano. A Turquia lidera com 37%, seguida pela Argentina, com 29%, e pela Rússia, com 14%. Depois do Brasil aparecem Colômbia, África do Sul e México, com taxas de 12%, 7% e 6,50%, respectivamente.
A diferença entre os rankings nominal e real está relacionada principalmente à inflação projetada. Uma taxa nominal elevada pode resultar em um juro real menor quando a inflação esperada também é alta. Da mesma forma, uma taxa nominal que não seja a maior do grupo pode resultar em um juro real mais elevado quando a inflação projetada é relativamente menor.
O levantamento também mostra que o Brasil continua na primeira posição mesmo considerando possíveis alterações na taxa básica. Em uma simulação de redução de 0,25 ponto percentual, com a Selic passando para 13,50%, o juro real brasileiro seria de aproximadamente 8,29%. Já em um cenário de aumento de 0,25 ponto percentual, a taxa real chegaria a 8,84%. Segundo a análise da MoneYou e da Lev Intelligence, essas alterações não seriam suficientes para mudar a posição brasileira no ranking.
A situação ocorre em um momento de desaceleração gradual da atividade econômica brasileira. Na decisão de setembro, o Copom afirmou que a atividade econômica perdeu dinamismo e que a inflação apresentou sinais de desaceleração, mas ressaltou que as expectativas de inflação continuam exigindo cautela. O comitê também indicou que os próximos movimentos dependerão da evolução dos indicadores econômicos.
A taxa elevada de juros tem efeitos diferentes sobre quem investe e quem precisa de crédito. Para aplicações financeiras que acompanham as taxas de mercado, juros elevados podem aumentar o retorno nominal dos investimentos de renda fixa. Para empresas e consumidores que dependem de empréstimos e financiamentos, entretanto, o ambiente de juros altos tende a elevar o custo do crédito.
Entidades do setor produtivo vêm acompanhando o movimento. A Confederação Nacional da Indústria e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo afirmaram recentemente que os juros ainda restringem o acesso ao crédito e pressionam o endividamento de famílias e empresas. A redução da Selic para 13,75% representa uma mudança na direção da política monetária, mas mantém a taxa em um patamar elevado.
Outro dado apontado pelo levantamento é a quantidade de países que registram juros reais negativos. Entre as 40 economias analisadas, nove apresentam taxas reais abaixo de zero. A Nova Zelândia registra a menor taxa, de -0,91%, enquanto Japão, Suíça, Filipinas e Taiwan também aparecem nessa faixa.
A pesquisa ainda mostra que as expectativas de inflação foram revisadas para cima na maioria dos países analisados. De acordo com a MoneYou e a Lev Intelligence, esse movimento contribuiu para reduzir os juros reais em algumas economias e levou parte dos países a apresentar taxas negativas. O cenário internacional também é influenciado por fatores econômicos e geopolíticos, incluindo as incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Com a nova decisão do Banco Central, a Selic brasileira chegou ao menor nível desde março de 2025. A redução de setembro mantém o ciclo de cortes iniciado em 2026, mas a autoridade monetária sinalizou que futuras decisões dependerão dos novos dados sobre inflação, atividade econômica e expectativas.
O ranking da MoneYou e da Lev Intelligence oferece, portanto, um retrato das condições de juros projetadas para os próximos 12 meses em diferentes economias. No caso brasileiro, a combinação entre uma taxa de juros ainda elevada e uma inflação projetada de 4,71% resulta em juro real de 8,45%, mantendo o país na liderança entre as 40 economias consideradas no levantamento.








