Presidentes do Brasil e dos Estados Unidos discursaram na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira (22)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22) o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O discurso ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos e foi marcado por temas como soberania nacional, conflitos internacionais, comércio e interferência estrangeira.
Logo depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocupou a tribuna da ONU. Os dois discursos apresentaram posições diferentes sobre questões relacionadas à política internacional, às guerras e à atuação das grandes potências.
Durante sua fala, Lula defendeu o princípio de não interferência nos assuntos internos dos países e afirmou que o Brasil seguirá como uma nação soberana. O presidente também criticou o unilateralismo e defendeu mudanças na estrutura do Conselho de Segurança da ONU.
Protestos em Nova York
Antes do início da Assembleia Geral, manifestações também chamaram atenção nas proximidades da sede das Nações Unidas.
Uma delas envolveu uma projeção em pontos turísticos de Nova York mostrando uma representação de Flávio Bolsonaro entregando a faixa presidencial a Donald Trump. A ação foi organizada por ativistas e ocorreu antes do discurso de Lula.
O episódio ocorreu em meio às tensões entre os governos brasileiro e norte-americano e às discussões sobre a influência estrangeira na política brasileira.
Lula aborda soberania e conflitos internacionais
Em seu pronunciamento, Lula afirmou que o Brasil não permitirá interferências externas em seus processos eleitorais. Também criticou o aumento dos conflitos armados e defendeu o fortalecimento do sistema multilateral.
O presidente brasileiro questionou a capacidade atual da ONU de atuar na prevenção e resolução de guerras e voltou a defender uma reforma do Conselho de Segurança, que possui cinco membros permanentes com poder de veto.
Lula também abordou temas como inteligência artificial, mudanças climáticas, comércio internacional, combate ao crime organizado e o sistema de pagamentos Pix.
Trump apresenta prioridades dos Estados Unidos
Na sequência, Donald Trump fez um discurso de aproximadamente 37 minutos. O presidente americano defendeu ações de seu governo em diferentes áreas da política externa e abordou conflitos envolvendo Irã, Ucrânia, Gaza, Cuba e países da América Latina.
Trump também criticou a atuação do Tribunal Penal Internacional e defendeu mudanças na forma como os Estados Unidos se relacionam com organismos internacionais.
Outro tema mencionado foi a inteligência artificial. O presidente afirmou que pretende utilizar a expressão “super inteligência” em documentos do governo americano, embora não tenha ficado claro se houve uma mudança formal na nomenclatura.
Delegações deixam o plenário durante discurso
Durante a fala de Trump, a delegação do Irã deixou o plenário quando o presidente americano começou a abordar as ações dos Estados Unidos contra o país.
A delegação cubana também deixou o local posteriormente, em reação às declarações feitas pelo presidente americano sobre Cuba.
Os episódios ocorreram dentro do próprio plenário da Assembleia Geral e fizeram parte das diferentes reações registradas durante o discurso.
Brasil e Estados Unidos vivem período de tensão
Os discursos acontecem em um contexto de divergências entre Brasília e Washington. Questões comerciais, sanções, eleições brasileiras e posicionamentos sobre política externa estão entre os temas que provocaram atritos entre os dois governos.
Apesar de os dois presidentes terem discursado em sequência, nenhum deles citou diretamente o outro pelo nome durante sua fala. Lula, entretanto, fez referências à soberania brasileira e à interferência estrangeira, enquanto Trump concentrou seu discurso em diferentes temas da agenda externa dos Estados Unidos.
A 81ª Assembleia Geral da ONU reúne representantes dos 193 países-membros da organização em Nova York. O encontro segue até 28 de setembro e terá debates sobre conflitos internacionais, segurança, economia, desenvolvimento e outros temas da agenda global.








