A Arábia Saudita passou a buscar uma alternativa diplomática diante da escalada de tensões envolvendo os houthis, grupo alinhado ao Irã que ampliou sua atuação nas proximidades do Mar Vermelho. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Riad pediu que a China use sua influência sobre Teerã para tentar conter novas ações dos houthis na região.
A movimentação ocorre depois de o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman ter buscado apoio militar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Washington não concordou, por enquanto, em realizar ataques diretos contra os houthis, mas indicou que continuaria oferecendo apoio em áreas como compartilhamento de inteligência e informações para alvos.
China ganha espaço nas negociações
Diante desse cenário, Pequim passou a desempenhar um papel diplomático mais ativo. De acordo com a Reuters, autoridades chinesas fizeram contatos privados com o Irã para pedir que o país utilize sua influência sobre os houthis e evite uma ampliação do conflito.
A China possui relações econômicas importantes tanto com a Arábia Saudita quanto com o Irã. O país é um dos principais compradores do petróleo iraniano e mantém relações comerciais e diplomáticas relevantes com as monarquias do Golfo. Essa posição coloca Pequim em uma situação particular para tentar dialogar com diferentes lados da crise.
A iniciativa também não é completamente nova. Em julho, fontes relataram que representantes chineses haviam mantido contatos diretos com os houthis para tentar garantir a passagem de navios chineses pelo sul do Mar Vermelho.
Mar Vermelho se torna ponto estratégico
A preocupação saudita está relacionada principalmente ao estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico. A região é fundamental para o transporte internacional de mercadorias e energia.
O aumento das ameaças aos navios ligados à Arábia Saudita ocorre em um momento em que outras rotas estratégicas do Oriente Médio também enfrentam instabilidade. Segundo o Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA, o Bab el-Mandeb ganhou importância adicional em 2026 devido às interrupções no tráfego pelo estreito de Ormuz.
A situação levou a Arábia Saudita a buscar também uma resposta multilateral. Em agosto, o país anunciou uma iniciativa internacional voltada à proteção da navegação no Mar Vermelho, com a participação de diversos países.
Um novo papel para Pequim
A aproximação entre Riad e Pequim ocorre em um contexto de crescente disputa pela influência no Oriente Médio. Enquanto os Estados Unidos continuam sendo um importante parceiro de segurança da Arábia Saudita, a China mantém relações econômicas e diplomáticas com diferentes atores da região.
O pedido saudita coloca Pequim diante de um desafio: tentar utilizar seus canais com Teerã para reduzir as tensões sem assumir diretamente o papel de parte militar no conflito.
Por enquanto, não há indicação de que o Irã tenha tomado uma decisão definitiva em resposta aos pedidos chineses. A evolução da situação dependerá da disposição de Teerã e dos houthis em reduzir as ações na região, além da capacidade dos países envolvidos de preservar a segurança das rotas marítimas.
A crise no Mar Vermelho, portanto, deixou de ser apenas uma questão de segurança regional e passou a envolver diretamente interesses comerciais, energéticos e diplomáticos de grandes potências.








