Presidente dos Estados Unidos afirmou que a “superinteligência” estará entre os principais assuntos da conversa com o líder chinês, em encontro realizado nesta quinta-feira (24), em Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (24) que a inteligência artificial será um dos principais temas de sua reunião com o presidente da China, Xi Jinping. O encontro ocorre na Casa Branca, em Washington, durante a visita de Estado do líder chinês aos Estados Unidos.

Em publicação nas redes sociais, Trump utilizou o termo “Super Intelligence” (superinteligência) para se referir à tecnologia e afirmou que o assunto teria grande espaço nas conversas. Segundo ele, tanto Washington quanto Pequim pretendem manter a situação atual, enquanto o Departamento de Justiça americano funcionaria como uma espécie de salvaguarda regulatória.

IA entra no centro da relação entre EUA e China

A inclusão da inteligência artificial na agenda ocorre em meio à disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. Estados Unidos e China competem pelo desenvolvimento de modelos avançados de IA, semicondutores e infraestrutura necessária para operar sistemas cada vez mais sofisticados.

Washington também mantém restrições à exportação de determinados chips avançados para a China, medida que busca limitar o acesso chinês a tecnologias consideradas estratégicas. Ao mesmo tempo, empresas dos dois países continuam ampliando investimentos e capacidade de desenvolvimento na área.

Além da competição tecnológica, existe uma discussão sobre segurança e gerenciamento de riscos associados à IA. Autoridades americanas e chinesas vêm avaliando a possibilidade de estabelecer mecanismos de comunicação para incidentes envolvendo inteligência artificial que possam ter impacto sobre a segurança nacional.

Possível canal para incidentes envolvendo IA

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou antes da reunião entre Trump e Xi que Washington havia proposto um mecanismo de notificação entre os dois países para situações envolvendo IA que possam atingir o nível de segurança nacional.

A ideia representa uma tentativa de criar um canal de comunicação em uma área na qual Estados Unidos e China são simultaneamente competidores tecnológicos e potenciais parceiros na discussão sobre riscos. Entre as preocupações citadas por especialistas estão ataques cibernéticos, uso indevido da tecnologia, riscos à infraestrutura crítica e sistemas que possam operar sem controle humano adequado.

Tecnologia divide espaço com comércio e geopolítica

Embora a IA tenha ganhado destaque, a reunião entre Trump e Xi envolve uma agenda mais ampla. Comércio, tarifas, Taiwan, minerais estratégicos e a relação da China com o Irã também estão entre os assuntos que cercam a cúpula.

A visita de Xi acontece quatro meses depois do encontro dos dois líderes em Pequim. O atual encontro ocorre em um momento de tentativa de manutenção da trégua comercial entre Washington e Pequim, enquanto permanecem divergências sobre tarifas, exportações de minerais críticos e tecnologia.

O jantar de Estado também reúne executivos de grandes empresas de tecnologia, incluindo nomes ligados a companhias como Apple, Nvidia e OpenAI, aumentando o peso do setor tecnológico na programação da visita.

O encontro entre Trump e Xi coloca, portanto, a inteligência artificial em uma posição cada vez mais estratégica na relação entre as duas potências. Além de uma disputa econômica, o desenvolvimento da tecnologia passou a envolver questões de segurança nacional, infraestrutura, indústria de semicondutores e influência tecnológica global.