Medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, como os que utilizam semaglutida e tirzepatida, ganharam espaço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Ao mesmo tempo, profissionais de saúde vêm chamando atenção para possíveis impactos indiretos dessas terapias sobre a saúde bucal, especialmente em pacientes que apresentam boca seca, mau hálito, alterações no paladar, refluxo ou episódios de vômito.
A redução da saliva é um dos principais fatores envolvidos. A saliva exerce uma função importante na proteção da boca, ajudando a remover resíduos, controlar microrganismos e manter o equilíbrio do ambiente oral. Quando sua produção diminui, aumenta a possibilidade de proliferação de bactérias, mau hálito, cáries, sensibilidade e outros problemas bucais.
Há também relatos e estudos descrevendo casos de xerostomia, ou boca seca, em pessoas que utilizam semaglutida. Em uma série de casos publicada na literatura médica, três pacientes apresentaram redução importante da salivação durante o tratamento, com manifestações como boca seca e halitose. Os pesquisadores, entretanto, ressaltam a necessidade de estudos maiores para confirmar a relação.
Outro ponto de atenção são os efeitos gastrointestinais. Náuseas, vômitos e refluxo podem ocorrer durante o tratamento e, quando o ácido do estômago entra repetidamente em contato com os dentes, pode contribuir para a erosão do esmalte. Com o tempo, esse processo pode aumentar a sensibilidade e favorecer o desgaste da estrutura dental.
A desidratação e a redução da ingestão de alimentos e líquidos também podem contribuir para alterações no hálito. Em alguns pacientes, uma redução acentuada no consumo de carboidratos pode levar à cetose, produzindo compostos eliminados pela respiração e capazes de modificar o odor do hálito.
Apesar dos relatos, especialistas destacam que não é correto afirmar que as canetas para obesidade necessariamente provocam problemas nos dentes. As evidências sobre efeitos bucais diretos ainda são limitadas, e muitos dos possíveis problemas parecem estar relacionados a fatores associados ao tratamento, como menor hidratação, boca seca, refluxo, vômitos e mudanças na alimentação.
Para reduzir os riscos, profissionais recomendam manter uma boa hidratação, escovar os dentes com creme dental fluoretado, utilizar fio dental, higienizar a língua e manter acompanhamento odontológico. Em caso de vômito ou refluxo, a orientação é evitar escovar os dentes imediatamente, já que o contato recente com o ácido pode deixar temporariamente o esmalte mais vulnerável; enxaguar a boca com água e aguardar antes da escovação pode ajudar a reduzir o desgaste.
Pacientes que percebem boca persistentemente seca, mau hálito, sangramento gengival, sensibilidade ou alterações nos dentes devem procurar avaliação odontológica. O acompanhamento é especialmente importante durante tratamentos prolongados, permitindo identificar precocemente alterações e adotar medidas para preservar a saúde bucal sem interromper ou modificar o medicamento por conta própria.








