Pesquisadores identificaram um fóssil de aproximadamente 245 milhões de anos com preservação excepcional de tecidos moles, incluindo o estômago e o fígado de um réptil marinho. A descoberta é considerada incomum, já que esses órgãos normalmente se decompõem antes do processo de fossilização.
O espécime pertence a um réptil que viveu durante o período Triássico, poucos milhões de anos após a extinção em massa que marcou o fim do Permiano. O animal habitava mares rasos e fazia parte das primeiras espécies marinhas a ocupar os oceanos naquele período.
Segundo os pesquisadores, a preservação dos órgãos internos permitiu observar detalhes da anatomia que raramente são encontrados em fósseis. A análise também revelou informações sobre a posição dos órgãos no corpo e a estrutura do sistema digestivo.
O conteúdo preservado no estômago indica que o réptil se alimentava de peixes e outros pequenos animais marinhos, reforçando a hipótese de que ocupava um nível intermediário na cadeia alimentar dos antigos oceanos.
Os cientistas afirmam que descobertas desse tipo ajudam a compreender a evolução dos vertebrados marinhos e a reconstruir ecossistemas que existiram há centenas de milhões de anos. A preservação de tecidos moles é considerada um dos eventos mais raros da paleontologia, tornando o fóssil uma importante fonte de informações para futuras pesquisas.
O estudo também contribui para ampliar o conhecimento sobre a recuperação da vida marinha após a maior extinção da história da Terra, quando cerca de 90% das espécies desapareceram. Os resultados oferecem novos dados sobre a adaptação e a diversificação dos répteis que passaram a dominar os mares durante o Triássico.
A pesquisa foi publicada em revista científica internacional e o fóssil continuará sendo analisado para identificar outros detalhes sobre a anatomia e o modo de vida da espécie.








