Encontro entre Brasil e Coreia do Sul busca ampliar a cooperação em minerais estratégicos, transição energética, tecnologia e investimentos em cadeias industriais de alto valor agregado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta segunda-feira o presidente da Coreia do Sul em uma reunião de alto nível que deve fortalecer as relações econômicas e diplomáticas entre os dois países. Entre os principais temas da agenda estão a cooperação na exploração de minerais críticos, o desenvolvimento da cadeia de terras raras, investimentos em tecnologia, energia limpa e inovação industrial.
A visita ocorre em um momento em que os minerais estratégicos ganham importância geopolítica devido ao crescimento da demanda global por baterias, veículos elétricos, semicondutores e equipamentos voltados à inteligência artificial.
Minerais críticos entram no centro das negociações
O Brasil possui algumas das maiores reservas mundiais de minerais considerados essenciais para a economia do futuro, incluindo lítio, grafite, nióbio, níquel, manganês e elementos de terras raras.
Esses recursos são fundamentais para a fabricação de:
- Veículos elétricos;
- Baterias de alta capacidade;
- Turbinas eólicas;
- Painéis solares;
- Smartphones;
- Computadores;
- Chips eletrônicos;
- Equipamentos militares;
- Sistemas de inteligência artificial.
A Coreia do Sul, por sua vez, é uma das principais potências globais na fabricação de eletrônicos, baterias e semicondutores, tornando-se um parceiro estratégico para ampliar investimentos na cadeia mineral brasileira.
Terras raras ganham importância estratégica
As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos utilizados em tecnologias de ponta. Apesar do nome, muitos desses minerais não são necessariamente escassos, mas sua extração e processamento exigem tecnologia avançada.
A crescente disputa internacional pelo acesso a esses materiais intensificou o interesse de grandes economias em diversificar fornecedores, reduzindo a dependência da produção concentrada em poucos países.
Nesse contexto, o Brasil surge como uma alternativa relevante para ampliar a oferta global desses insumos estratégicos.
Tecnologia e indústria também fazem parte da pauta
Além da mineração, os dois governos devem discutir oportunidades de cooperação em áreas como:
- Inteligência Artificial;
- Indústria de semicondutores;
- Mobilidade elétrica;
- Energia renovável;
- Hidrogênio verde;
- Pesquisa científica;
- Transformação digital;
- Comércio bilateral.
Empresas sul-coreanas já mantêm forte presença no mercado brasileiro, especialmente nos setores automotivo, eletrônico, siderúrgico e de infraestrutura.
A expectativa é de que novos acordos possam estimular investimentos produtivos e fortalecer cadeias industriais ligadas à economia verde.
Brasil busca agregar valor aos recursos minerais
Uma das prioridades do governo brasileiro é ampliar o processamento industrial dos minerais extraídos no país, reduzindo a exportação de matéria-prima e incentivando a produção nacional de componentes com maior valor agregado.
A estratégia inclui estimular investimentos em refinarias minerais, fábricas de baterias, centros tecnológicos e indústrias voltadas à transição energética.
Especialistas avaliam que essa política pode aumentar a competitividade brasileira no mercado global de tecnologias limpas e fortalecer a inserção do país nas cadeias internacionais de suprimentos.
Relação comercial entre Brasil e Coreia do Sul
Brasil e Coreia do Sul mantêm uma parceria econômica consolidada, com intercâmbio em produtos industriais, agrícolas e tecnológicos.
O fortalecimento das relações ocorre em um cenário de crescente demanda por insumos estratégicos e pela diversificação das cadeias globais de produção, especialmente nos setores ligados à energia limpa e à inovação tecnológica.
A reunião entre os chefes de Estado poderá abrir caminho para novos acordos de cooperação, investimentos privados e iniciativas conjuntas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à segurança no fornecimento de minerais críticos.








