Candidato à Presidência muda posicionamento e afirma que decisão considera a vontade da maioria dos trabalhadores; votação da proposta no Senado está prevista para esta quarta-feira (14)

O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (13) que votará a favor da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A declaração representa uma mudança em relação às críticas feitas anteriormente pelo parlamentar à discussão sobre a redução da jornada.

“Eu estou rodando o Brasil e a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6x1. Então, eu vou votar a favor do fim da 6x1”, afirmou Flávio durante conversa com jornalistas após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de anunciar o voto favorável, Flávio disse que considera necessário discutir um modelo mais flexível de jornada. Segundo ele, trabalhadores deveriam ter maior liberdade para definir seus horários de acordo com diferentes realidades profissionais e familiares.

Flávio critica custos para as empresas

Ao defender o fim da escala 6x1, Flávio também chamou atenção para os possíveis impactos econômicos da mudança. Na avaliação do candidato, a redução da jornada pode aumentar os custos das empresas e exigir a contratação de mais trabalhadores.

“Quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados”, declarou.

Flávio afirmou ainda que uma mudança na jornada poderia aumentar o risco de informalidade caso não haja medidas para compensar os custos adicionais enfrentados pelas empresas.

A proposta em discussão prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso por semana e manutenção da remuneração. A implementação seria gradual, conforme o texto em tramitação no Senado.

Mudança de posição ocorre durante o segundo turno

A declaração acontece em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Antes de anunciar o voto favorável, Flávio havia feito críticas à forma como o tema vinha sendo apresentado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em declarações anteriores, o candidato classificou a discussão sobre o fim da escala 6x1 como “inoportuna e eleitoreira” e argumentou que uma redução da jornada poderia elevar custos e afetar o mercado de trabalho.

Agora, Flávio afirma que passou a considerar principalmente a posição dos trabalhadores que tem encontrado durante a campanha.

A mudança também ocorre às vésperas da votação da proposta no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, marcou para quarta-feira (14) a análise da PEC, que precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos para ser aprovada.

O que muda com o fim da escala 6x1

A escala 6x1 é um modelo no qual o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho e tem um dia de descanso. A proposta atualmente em discussão busca ampliar o período de descanso semanal e reduzir a jornada de trabalho.

Caso aprovada nos termos previstos, a mudança reduzirá a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelecerá dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. A transição prevista no texto seria feita de maneira gradual.

O tema ganhou espaço no debate político e eleitoral por atingir diretamente milhões de trabalhadores, além de provocar discussões entre governo, oposição, empresários e representantes dos trabalhadores sobre os impactos econômicos da medida.

Com a declaração desta terça-feira, Flávio Bolsonaro passa a defender o voto favorável ao fim da escala 6x1, embora mantenha críticas ao formato da proposta e defenda mudanças que deem maior flexibilidade para a organização das jornadas.